quarta-feira, 9 de março de 2011
O contador de histórias
Estava sem sono e resolvi assistir alguma coisa. Queria assistir algo para desligar a cabeça, mas não achei a série que eu estava com vontade de ver. Comecei a fuçar a lista de filmes que o C. tinha baixado e vi lá "O contador de histórias". Não tinha certeza sobre o que tratava, mas tinha uma séria desconfiança. Confirmada: a versão cinematográfica da vida de Roberto Carlos Ramos. Eu conheço todos os fatos que cercam a institucionalização da infância e juventude no Brasil, mas mesmo assim chorei ao me deparar com tamanha violência: contra a mãe que não vê alternativa para seu filho a não ser entregá-lo ao Estado; contra a criança que se vê privada do amor de sua família por que "casa, comida, cama e comida" é tudo o que alguém pode querer; contra os profissionais que são obrigados a trabalhar nessa dura realidade sem o mínimo de preparo e de apoio; contra sociedade que vê seu futuro sendo destruído e não tem a força e a coragem necessárias para mudar esse cenário...
Chorei também ao presenciar a força tranformadora da crença na potencialidade humana, do amor sincero e do profundo respeito à condição humana. Renova minha fé em um futuro melhor, embora eu tenha ficado triste em saber que, ainda, muitas crianças são violadas em sua humanidade e deixam de acreditar em si mesmas por que o mundo já não acredita nelas há muito tempo...
É um jeito melancólico de terminar essa postagem, mas é assim que eu me sinto nesse momento. Mas ainda assim o filme é uma história de esperança, de força, de coragem, de resiliência... Vale a pena dedicar um tempo para apreciá-lo.
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